” E onde queres romance, rock'n roll [...]”
Eu queria querer-te amar o amor.
Construir-nos dulcíssima prisão,
encontrar a mais justa adequação.
Tudo métrica e rima e nunca dor,
mas a vida é real e é de viés.
E vê só que cilada o amor me armou
eu te quero (e não queres) como sou,
não te quero (e não queres) como és.
Onde queres comício, flipper-vídeo,
onde queres a lua, eu sou o sol
e onde a pura natura, o inseticídio,
onde queres mistério, eu sou a luz
e onde queres um canto, o mundo inteiro,
onde queres quaresma, fevereiro
e onde queres coqueiro, eu sou obus.
O quereres e o estares sempre a fim
do que em mim é em mim tão desigual.
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
bem a ti, mal ao quereres. assim
infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
e, querendo-te, aprender o total
do querer que há, e do que não há em mim
(Caetano Velozo)